Comunidade aponta novo local de alimentação para botos e toninhas na baía da Babitonga Imprimir E-mail
Natureza
Sáb, 22 de Novembro de 2014 17:20

toninhas e botos no pontal - itapoaDesde julho deste ano, grupos de cetáceos têm sido vistos com mais frequência em aparente comportamento de pesca na área onde foram construídas as estruturas do Porto Itapoá. As alterações na margem Norte da baía da Babitonga, devido à instalação do Porto Itapoá, inaugurado há cinco anos, podem estar beneficiando grupos de botos e toninhas que habitam a região.


Desde julho deste ano, principalmente a partir de agosto, a presença de botos e toninhas entre a comunidade pesqueira da Figueira do Pontal e o píer do Porto Itapoá, está se tornando cada vez mais frequente. Além disso, os animais permanecem no local por longos períodos em comportamento típico da atividade de pesca, possivelmente decorrente de mudanças na diversidade e abundância da ictiofauna local. Segundo os pescadores locais, os peixes se tornaram mais abundantes e maiores naquele ponto da baía.

“Há muitos peixes e com tamanhos surpreendentes. Pesco de arremesso aqui na região do trapiche do Pontal há mais de 25 anos, e nos últimos anos, após o píer do Porto ficar pronto, realmente a quantidade de pescados aumentou na quantidade e tamanho.”, diz o Sr. Sérgio Freitas, pescador de arremesso entrevistado pelo DI.

“Outros programas de monitoramento ambiental realizados pelo Porto Itapoá, corroboram as hipóteses e evidências de novas espécies de peixes ou de peixes maiores, como relatam os pescadores. Apesar de ainda não podermos comprovar, é certo que grupos de botos e toninhas estão mais presentes neste ponto da baía”, afirma a oceanógrafa Heloise Seiboth, técnica do Programa de Monitoramento de Cetáceos, desenvolvido pelo Porto Itapoá desde a sua fase de instalação. Segundo ela, trata-se de uma novidade, já que antes os cetáceos só eram vistos de passagem – entre a entrada do canal da baía da Babitonga e a margem de São Francisco do Sul – e apenas em grupos de pequeno tamanho (2 a 4 animais).

A explicação para esta presença mais abundante de botos e toninhas na margem Norte da baía – até então estes animais eram observados se alimentando na região central da Babitonga – pode estar relacionada ao fato de que as estruturas que suportam o píer, além de serem base para a fixação de uma rica fauna de pequenos e diversos organismos, que por sua vez atraem uma grande diversidade de peixes, podem também estar funcionando como barreiras físicas para os cardumes, facilitando para os cetáceos a captura de suas presas, daí a sua presença mais constante.

Grandes grupos de botos, com até quinze animais cada, já foram observados entre a Figueira do Pontal e o Porto Itapoá pela equipe do programa de monitoramento. Apesar destes serem apenas os primeiros registros da ocorrência de botos e toninhas na área do Pontal da Figueira e do Porto Itapoá, existe a indicação de que neste local esteja sendo constituída uma nova área de alimentação para estas espécies na baía da Babitonga. Outra constatação inédita na baía onde outros estudos, realizados desde a década de 1990, apontam a localidade como única no Brasil onde há concentração de toninhas e de botos-cinza num mesmo ambiente natural.

A constatação de uma nova área de alimentação para os botos-cinza e toninhas na baía da Babitonga foi apresentada como uma comunicação científica durante o 6º Congresso Brasileiro de Oceanografia – CBO’2014 e causou surpresa. No evento, diversos questionamentos foram feitos aos autores do estudo que, até o momento, dispõem apenas de comprovação estatística da presença dos botos e toninhas e de relatos da comunidade pesqueira da Figueira do Pontal.

“É fato que estes animais estão mais frequentes nesta região,  o grande número deles, e as demonstrações comportamentais de socialização e pesca, associado à proximidade ao trapiche turístico utilizado pelos pescadores amadores, tem causado divertimento na área, inclusive se tornaram atração na região, com turistas e moradores procurando a margem para admirar e registrar a presença destes cetáceos, que se tornaram uma atração turística”, destaca a oceanógrafa Heloise Seiboth.

Fonte: Jornalista Oswaldo Ribeiro Jr., com adaptações do Diário de Itapoá. Fotos de Heloise Seiboth.


 

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