RBS TV: Moradores de Itapoá buscam proteção contra violência urbana Imprimir E-mail
Policial
Dom, 10 de Julho de 2016 23:50

Com poucos policiais, delegado soma 4 meses em horas extras. Assaltos e furtos a residências e comércio assustam população.


Com o aumento dos assaltos e furtos em Itapoá, no Norte de Santa Catarina, e um baixo efetivo da Polícia Civil, moradores e comerciantes investem em segurança privada e em grades de proteção em casas e estabelecimentos. Com poucos servidores, o atendimento à população em alguns dias chega a ser feito só pelo delegado, que já soma quatro meses de trabalho em horas extras, como mostrou o Jornal do Almoço dessa sexta-feira (08/11).


Crime registrado por câmeras

As imagens das câmeras de segurança de uma loja mostraram dois homens armados invadindo um comércio. Eles pularam um balcão e renderam uma família que estava na cozinha do estabelecimento em Itapoá. Com uma arma apontada para a cabeça, a proprietária do local, que teve a identidade preservada, foi ameaçada e forçada a tentar abrir o cofre.

“Senti muito medo e terror”, contou a mulher à reportagem da RBS TV. “Você achou que fossem disparar?”, questionou a repórter da RBS. “Principalmente em mim, porque ele (o criminoso) tremia com a arma na minha cabeça, estava muito nervoso, muito agitado. Eu dizia que podia levar tudo, que não íamos reagir, mas achei que não fosse escapar”, contou a vítima.



Conforme a RBS TV, os assaltantes ameaçaram também o marido da comerciante e uma adolescente, filha dela.  “Para proteger minha filha, meu marido se jogou sobre ela, porque eles disseram que a levariam para o quarto, para nos intimidar. Então, um passou a chutá-lo o tempo todo, enquanto o outro ficava com a arma na minha cabeça”, relatou.

Um vídeo mostra os ladrões fugindo depois de alguns minutos. Eles levaram uma quantia em dinheiro que estava sobre uma mesa e algumas joias do local. Conforme a RBS TV, um dos criminosos foi preso logo em seguida.



Mudança de comportamento

Outro crime semelhante ocorreu recentemente na cidade. A ação dos criminosos foi igualmente registrada pelas câmeras de monitoramento do comércio. Nas imagens, aparecem três rapazes armados, que invadem uma loja e roubam o dinheiro do caixa, um celular e algumas mercadorias.


O proprietário também teve a identidade mantida em sigilo. Ele disse à RBS TV que, desde o dia do crime, o medo faz parte da sua rotina. “Estou trazendo dois familiares para ficarem como seguranças para eu poder trabalhar sossegado, mas não consigo, nem minha família. Desde o assalto, minha esposa não dorme, não tem mais tranquilidade”, contou a vítima.

Como mostrou a reportagem, desde estas ocorrências, os comerciantes de Itapoá passaram a instalar grades nas janelas e na área de atendimento. Além disso, colocaram placas indicando a proibição do uso de bonés, chapéus ou capacetes para facilitar a visualização do rosto das pessoas.


Estratégias de combate

Alguns comerciantes instalaram câmeras, outros contrataram segurança privada ou até reduziram o horário de atendimento. Segundo a Polícia Militar, várias estratégias foram criadas para combater a criminalidade.

“Se surge a necessidade, chamamos até quem está de folga, muitas vezes, empregamos três viaturas para trabalhar. No último mês, tivemos um resultado favorável, 30 pessoas, praticamente uma pessoa por dia, foi presa”, disse o comandante da PM Ademir Schenekemberg.

Segundo a Polícia Civil, além dos assaltos e furtos na cidade os homicídios também aumentaram. “Temos facções atuando em todo o estado e, hoje, nosso maior desafio é combatê-las, porque precisamos investigar. Hoje, em muitas unidades, nossos policiais estão subaproveitados. Nós precisamos não só aumentar efetivo, mas concentrar nossas ferramentas na investigação”, afirmou o delegado Leandro Lopes de Almeida.


Senso de responsabilidade

Segundo Almeida, a delegacia tem cerca de 100 inquéritos em andamento, mas como os policiais precisam folgar 72 horas, depois de trabalharem por 24 seguidas, em alguns dias, a delegacia fica sem efetivo, só com o delegado, que faz horas extras.
“Hoje, tenho direito a quatro meses de folga, poderia ficar todo esse tempo em casa, mas por amor à profissão e senso de responsabilidade, contando com ajuda de colegas de Garuva, a delegacia continua a funcionar”, relatou.


Justiça intervém

A Justiça mandou o estado aumentar o efetivo da Polícia Civil no município, deslocando para lá mais um delegado, um escrivão e um investigador.

Conforme a Polícia Civil, a determinação da Justiça deve ser atendida assim que a Academia de Polícia Civil formar novos agentes. A previsão é de que isso aconteça até a segunda quinzena de novembro. Segundo o comando da Polícia civil, já foi deslocado um escrivão para Itapoá.


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