G1-SC: Apae de Itapoá suspende aulas após assalto; unidades têm falta de verba Imprimir E-mail
Policial
Ter, 19 de Julho de 2016 23:19

Uma unidade da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Itapoá, foi arrombada no fim de semana. Os suspeitos levaram freezer, computador, tablet, microondas, forno elétrico e todo o alimento dos 39 alunos da instituição. Eles cortaram a luz da casa para o roubo, com isso, as câmeras de segurança não registraram a ação.


A instituição calcula cerca de R$ 20 mil em prejuízos. De verba pública, mensalmente, o local recebe R$ 16 mil. Até esta terça-feira (19), ninguém foi preso.

"A gente consegue subir um degrau, cai três. Essa é a luta de quem atua nesta área", disse a presidente da instituição na cidade, Marlene Amâncio.  "Eu considero uma pessoa dessas um marginal sem coração. Ela veio e tirou o pouco que a gente tinha", conta a professora Fabiana Monteiro.

Na segunda (18), a unidade decidiu suspender as aulas por duas semanas. Algumas doações de alimento chegaram ainda na segunda, mas a instituição informou não ter condições de retomar os trabalhos.



Apae em SC sem verba

Em Santa Catarina, as Apaes reclamam da falta de R$ 48 milhões em repasses que, segundo o Tribunal de Contas do Estado, deveriam ter sido feitos pelo governo nos últimos anos. Só em 2015, o governo do estado teria deixado de repassar mais de R$ 24 milhões.

O dinheiro que vai para as Apaes vem do Fundo Social. Do total do fundo, 6% são usados para manter diversos projetos sociais. Conforme o TCE, as Apaes deveriam ficar com 16,75% desta parcela, dividindo o restante com programas de geração de emprego e financiamento de bolsas de estudo.

Entretanto, atualmente, o governo do estado também retira do Fundo Social o caixa dos poderes, uma fatia de quase 22%. Com isso, o valor para as Apaes fica menor.

O Tribunal de Contas entende que esse dinheiro para os poderes não deveria ser retirado do Fundo Social. Por isso, recomendou que o governo reveja os cálculos. A Secretaria Estadual da Fazenda informou que apresentou defesa ao Tribunal de Contas.

Tramita na Assembleia Legislativa um projeto de lei que muda a base de cálculo para o repasse da Apae. Com isso, a fórmula que o governo aplica atualmente seria transformado em regra, e o valor que as Apaes deixaram de receber, segundo o TCE, não seria mais repassado.


Demissões

Em Florianópolis, na maior Apae do estado, dez funcionários já foram demitidos por falta de dinheiro. Somente neste ano, as Apaes de todo o estado receberam mais de mil alunos novos.

"O esforço cada vez é maior, as necessidades são maiores e as nossas diretorias não têm medido esforços, mas chega determinado ponto que a gente vai ter que começar a recusar alunos", disse o presidente da federação das Apaes de Santa Catarina, Júlio César de Aguiar.

Para o presidente, com os recursos pendentes, seria possível dar muito mais qualidade de vida aos alunos. "Estamos procurando marcar uma reunião com o governo para ver de que forma podemos equalizar isso aí, de uma maneira que fique bem para o governo e bem para as Apaes, que está precisando muito", disse Aguiar.


Reportagem e vídeo do G1-SC e RBS-TV, com adaptações do Diário de Itapoá.

 

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