Movimentação no Porto Itapoá foi afetada em 60% com greve dos caminhoneiros Imprimir E-mail
Porto Itapoá
Qua, 25 de Fevereiro de 2015 22:25

Os primeiros reflexos da greve dos caminhoneiros, que chegou ao segundo dia na região de Joinville, começam a ser sentidos. Com os acessos bloqueados, a movimentação de cargas no porto Itapoá caiu 60% nas últimas 24 horas. Nos supermercados, os estoques de leite estão em níveis baixos e, no caso dos pães industrializados, há uma menor variedade de marcas.


O presidente do Porto Itapoá (operadora do terminal), Patrício Júnior, aponta que, no momento, as perdas, no momento, são operacionais. “O que houve foi um retardo do operacional, quando ele voltar a funcionar, vamos ter um aumento na demanda, no nível de serviço. Teríamos prejuízo financeiro se as indústrias parassem de fabricar, de importar e exportar.”


As cargas trazidas pelos navios estão sendo armazenadas no pátio, mas não têm saída. “Vai ficando. A capacidade do nosso terminal está sendo bem usada, mas daqui a uns cinco dias se a greve continuar, se só houver descarga e não carregarmos, vai dar problema”, estima.


Em relação à exportação, Júnior detalha que as cargas levadas a outro país chegam ao terminal com cinco a dez dias de antecedência. As que devem ser exportadas nos próximos dias já estão no porto.


Ontem à tarde, o grupo de caminhoneiros que  bloqueia o porto fez uma reunião para discutir sobre a mobilização e a decisão foi pela continuidade.  “A nossa manifestação é pacífica. Todos aqui são profissionais autônomos e querem que o governo abaixe o preço do diesel, porque isso gera um custo para todo mundo”, comentou o caminhoneiro Clemir José Alves, 40 anos, informando que o movimento não tem previsão para acabar e engrossa as reivindicações de outros caminhoneiros paralisados em outras regiões do país.


Há motoristas, no entanto, que não estão tão engajados. Alguns pararam porque preferiram não furar o bloqueio dos grevistas e resolveram aguardar um desfecho da situação antes de seguir em frente. “Eu espero que isso dê algum resultado”, afirmava Otacílio Paulino, 71. Ele e outros quatro colegas de empresa não tiveram outra escolha. “Por enquanto, o negócio é esperar”, lamentava ele, que aguardava para descarregar uma carga de madeira.


Os supermercados começam a ter problemas de abastecimento. Na rede Giassi, algumas marcas de pão de forma já não se encontram nas prateleiras. “Isso porque a entrega dos pães é feita cerca de seis vezes por semana”, explicou Neodir Benfato, gerente comercial do grupo.


O leite e outros produtos perecíveis também estão com estoques baixos. “Temos volume para abastecer as lojas entre três e quatro dias, portanto, se os protestos durarem até hoje ou amanhã, estes produtos começarão a faltar”, observou Benfato.


A rede está limitando a venda de leite longa vida a um fardo com 12 caixas. Na loja do grupo na região sul de Joinville, não há estoque do leite pasteurizado tipo C.


“Em algumas fábricas, a produção parou. As indústrias de laticínios não estão operando porque não tem a matéria-prima, enquanto os produtores estão jogando litros e litros de leite fora. Se os bloqueios permanecerem, a tendência é que este prejuízo se reverta em um produto mais caro”, exemplificou Benfato.


A promotora de eventos Eliane Trentini foi ao supermercado ontem (25) e aproveitou para conferir se os bloqueios dos caminhoneiros já impactaram no abastecimento da cidade. “Não vi nada de anormal, mas a situação me preocupa bastante.” (Isabella Mayer de Moura)


Fonte: Thaís Moreira de Mira e e João Batista da Silva do Jornal Notícias do Dia.

Foto: Porto Itapoá.

 

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