DIÁRIO CATARINENSE: Portos catarinenses tiveram resultados satisfatórios em 2015 Imprimir E-mail
Porto Itapoá
Dom, 24 de Janeiro de 2016 22:46

O setor portuário catarinense enfrentou um 2015 difícil, mas alcançou resultados positivos dentro do cenário de crise. Os portos de Itapoá e Imbituba registraram aumento de movimentação, enquanto os terminais de Navegantes e São Francisco do Sul terminaram o ano com uma leve queda. Apenas Itajaí não conseguiu sair ilesa e sofreu uma baixa de 17%, a maior do Estado.


— Tem um fator importante para destacar que é os problemas no canal de entrada do rio Itajaí-Açú. A entrada no canal ficou fechada vários dias por conta do excesso de chuvas. O Porto de Itajaí, público, sofreu mais. O  Porto de Navegantes (Portonave), um terminal privado, conseguiu superar melhor as dificuldades — explica Evandro Moritz, pesquisador do Laboratório de Desempenho Logístico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que atua com foco em terminais portuários.

A barra de acesso aos dois portos do Vale ficou fechada durante 33 dias em 2015, com o cancelamento de 60 escalas de navios no cálculo de todo o Complexo Portuário (que envolve os dois portos e outros terminais privados menores). As estruturas tiveram, na prática, um mês a menos do que os seus concorrentes no Estado e país. Além disso, duas rotas de navegação que atracavam em Itajaí passaram a ser operadas pela Portonave e contribuíram para a acentuada queda, somada aos dias em que a estrutura ficou sem operação.

— Dentro das dificuldades do mercado, pela condição climática, acho que o ano foi bom. O Brasil caiu em números de contêineres de forma geral. Então tivemos bons resultados — explica o diretor-superintendente do Portonave, Osmari de Castilho.


Busca por clientes de outros estados

Mais ao Norte, outro terminal privado foi o único a obter crescimento expressivo em 2015. Com um contrato para movimentar peças e veículos para a BMW, somado a outros resultados do ano, o Porto de Itapoá cresceu 12%. A administração da unidade acredita que o resultado vem da busca por clientes de outros Estados.

– Não atuamos só em Santa Catarina, conseguimos entrar no Paraná e sermos uma opção ao único porto do Estado vizinho – diz Patrício Junior, presidente do terminal de Itapoá.

Também no Norte, o Porto de São Francisco do Sul tenta reverter a crise com o transporte de produtos do agronegócio.

— Milho teve um aumento significativo, do Paraná principalmente. Deu quase 3 milhões de toneladas. Soja fechou similar, 4,7 milhões de toneladas — explica Arnaldo Santiago, diretor de logística do terminal.

A migração da movimentação de contêineres para Itapoá e Navegantes estaria ocorrendo de forma constante nos últimos três anos. Situação que os concorrentes atribuem ao fato de as grandes empresas do setor de navegação serem sócias dos terminais privados.

No Sul de Santa Catarina, outro porto atua na diversificação para manter relevância no mercado e também continuar crescendo durante a crise. Em Imbituba, a movimentação de grãos cresceu e houve também um aumento de 30% no transporte de contêineres por cabotagem (entre portos dentro do próprio Brasil), já que o porto também perdeu uma rota de navegação internacional.

De forma geral, a unidade é a mais otimista em relação a 2016.  O presidente do Porto de Imbituba, Rogério Pupo, prevê um crescimento de 15% na movimentação de carga. Em Itapoá, a expectativa é por um aumento entre 5% e 10%. Navegantes espera uma tendência de crescimento e São Francisco do Sul e Itajaí apostam em uma movimentação estável neste ano.


Movimentação em SC

Três portos catarinenses registraram aumento de fluxo entre 2014 e 2015, enquanto terminais de Itajaí e Navegantes registraram queda.

SÃO FRANCISCO DO SUL
2015 - 12.692.096 toneladas
2014 - 13.301.540 toneladas
Queda de 5%
 
IMBITUBA
2015 -  3.391.084 toneladas
2014 - 3.364.439 toneladas
Aumento de 1%
 
ITAPOÁ
2015 - 320 mil contêineres
2014 - 288 mil
Aumento de 12%.
 
ITAJAÍ
2015 - 309.922
2014 - 373.400
Queda de 17%
 
NAVEGANTES
2015 - 679.789
2014 - 699.824
Queda de 3%

Por Thiago Santaella, do jornal Diário Catarinense.

 

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